For the record: o jornal italiano Il Reformista destacou a audiência do Papa Bento XVI com Robert Spaemann no último domingo (ver post abaixo). Reconhecendo que pouco se sabe do que foi tratado, afirma que o professor alemão teria saído do encontro bastante confiante na publicação do motu proprio liberando a Missa Tridentina (Missa de São Pio V) para muito em breve. Segundo o artigo, a promulgação seria ainda para este mês, o que é virtualmente impossível, já que maio se esgota nas próximas horas. Esqueça as previsões exatas. O motu proprio virá. Save the Liturgy, Save the World.
quinta-feira, 31 de maio de 2007
terça-feira, 29 de maio de 2007
Motu Proprio: Update
Em tempo: O jornal alemão Der Spiegel noticiou ontem (28/05/2007) que o motu proprio para liberação da Missa Tridentina deverá ser publicado ainda nesta semana: "diese Woche"! A fonte é confiável e o fim de maio encaixa-se com o que havia sido prometido pelo Papa a Alice von Hildebrand. A probabilidade real, no entanto, continua a ser um mistério.
Além disso, Shawn Tribe, do The New Liturgical Movement , chama a atenção para o fato de que o Boletim do Vaticano informou neste último domingo (27/05/2007) o encontro do Papa Bento XVI com Robert Spaemann, Professor Emérito da Universidade de Munique e Presidente da Associação Pro Missa Tridentina. É possível que o motu proprio tenha sido discutido.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Novos Rumores do Motu Proprio
Ainda que seja o rumor dos rumores – há quem preveja uma gloriosa publicação do motu proprio liberando a Missa Tridentina para amanhã (29/05/2007), ao final da Peregrinação a Chartres (ver post abaixo). Aliás, veja aqui as fotos mais recentes enviadas pelos peregrinos.
Nesse último fim-de-semana, todos os sites ligados à liturgia tradicional deram destaque ao pronunciamento do Superior Geral da Fraternidade São Pio X, Bernard Fellay, sobre a questão do motu proprio. Independentemente de todas as ressalvas que possam ser feitas à Fraternidade, o discurso é bastante relevante ao examinar as posições internas conflitantes da Cúria Romana em relação à postura litúrgica tradicional do Papa Bento XVI. As partes 6 e 7 são o ponto central.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Pèlerinage à Chartres
Sábado começa a 25ª Peregrinação a Chartres, realizada anualmente em Pentecostes pelos movimentos tradicionalistas franceses. Os peregrinos saem da Notre Dame de Paris e caminham durante 3 dias as 75 milhas que levam até a Catedral de Chartres.
Nas fotos do ano passado, toda a beleza da reverência e dos atos de piedade.
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Truth & Tolerance
Acabo de ler A Idéia Patrística do Anticristo, do Cardeal Newman - que demoraria ainda dez anos para se converter ao catolicismo – e encontrei no apêndice este trecho de uma carta interessante escrita por Samuel Horsley no final do século XVIII:
"Nos tempos do Anticristo, a Igreja de Deus sobre a terra, como bem podemos imaginar, verá fortemente reduzido o número aparente de seus fiéis, em razão da deserção dos poderes deste mundo. Esta deserção começará por uma indiferença a toda forma de cristianismo, sob a aparência de tolerância universal. Mas tal tolerância não procederá de um verdadeiro espírito de caridade e indulgência, mas de um desígnio de minar o cristianismo pela multiplicação e o fomento das seitas. Essa pretensa tolerância irá muito além de uma justa tolerância, inclusive no que toca às diferentes seitas de cristãos. Pois os governos pretenderão ser indiferentes a todas e não darão proteção preferencial a nenhuma. Todas as Igrejas estabelecidas serão deixadas de lado. Da tolerância das mais terríveis heresias passarão logo à tolerância do islamismo, do ateísmo e, por fim, à perseguição explícita da verdade do cristianismo".
Nas meditações da Quaresma deste ano, o Cardeal Giacomo Biffi disse algo parecido, alertando a cúria romana para um anticristo ecumênico, pacifista e ecológico. Foi chamado de louco. Afinal, o verdadeiro apocalipse é o aquecimento global.
Enquanto isso, dê o seu apoio à causa para a canonização de John Henry Cardinal Newman.
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Motu Proprio nas Próximas Semanas
Depois do discurso feito em Aparecida – ver post abaixo -, em que informou oficialmente os Bispos da América Latina sobre a intenção do Papa Bento XVI em promulgar o motu proprio para a liberação da Missa Tridentina, o Cardeal Darío Castrillón Hoyos anunciou que o documento está previsto para as próximas semanas.
Em entrevista concedida à agência mexicana Notimex e divulgada no periódico Milenio de ontem (17/05/2007), além de prever a publicação do motu proprio para muito em breve, o Cardeal Hoyos destacou que o Papa quer "conservar para a humanidade um tesouro que santificou a Igreja por mais de mil anos: o rito codificado por São Pio V; esse tesouro, essa expressão cultural, essa língua que foi língua da Igreja desde o primeiro momento", ressaltando também que Bento XVI "ama a liturgia" e por isso deseja manter o rito tradicional, segundo os livros de 1962.
Tratando especificamente dos lefebvristas, explicou também que eles "não são cismáticos, têm apenas uma suspensão os sacerdotes por exercer de forma ilícita e os bispos excomungados, porque ao ordenar outros bispos sem permissão de Roma, têm este castigo latae sententiae (no momento)".
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quinta-feira, 17 de maio de 2007
Motu Proprio no CELAM: “É chegado o tempo”
A notícia não poderia ser mais animadora. Em discurso feito anteontem (14/05/2007) no CELAM, em Aparecida, o Cardeal Darío Castrillón Hoyos informou oficialmente os Bispos da América Latina sobre a iminente intenção do Santo Padre em promulgar um motu proprio para a liberação da Missa Tridentina e da liturgia tradicional. O Cardeal Hoyos é Presidente da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, criada pelo Papa João Paulo II para acolher os fiéis tradicionalistas que desejavam permanecer em comunhão com a Igreja, quando da excomunhão do Arcebispo francês Marcel Lefebvre, em 1988.
O discurso é muito sereno e percebe-se claramente que o Cardeal não está debatendo a questão ou pedindo qualquer opinião dos bispos. Ao contrário, ele parece apenas comunicar um fato iminente, a pedido do próprio Papa Bento XVI, que havia preparado o terreno na semana anterior, com suas contundentes intervenções sobre os abusos na liturgia e a doutrina tradicional da Igreja, conforme tratei no post abaixo.
Seguem abaixo os trechos mais importantes do discurso do Cardeal Hoyos, em Aparecida:
"(...) Na verdade, trata-se de uma oferta generosa do Vigário de Cristo que, como expressão de sua vontade pastoral, quer colocar à disposição da Igreja todos os tesouros da liturgia latina que durante séculos nutriu a vida espiritual de tantas gerações de fiéis católicos. O Santo Padre quer conservar os imensos tesouros espirituais, culturais e estéticos ligados à antiga liturgia. A recuperação dessa riqueza une-se à não menos preciosa da atual liturgia da Igreja.
Por essas razões, o santo Padre tem a intenção de estender a toda a Igreja latina a possibilidade de celebrar a Santa Missa e os Sacramentos segundo os livros litúrgicos promulgados pelo Beato João XXIII, em 1962. Por esta liturgia, que nunca foi abolida, e que , como dissemos, é considerada um tesouro, existe hoje um novo e renovado interesse e, também por essa razão o Santo Padre pensa que é chegado o tempo de facilitar, como havia querido a primeira Comissão Cardinalícia em 1986, o acesso a esta liturgia, fazendo dela uma forma extraordinária do único rito Romano. (...)" (os destaques são meus).
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segunda-feira, 14 de maio de 2007
A Visita do Papa
Tocou a piaga dos abusos na liturgia: na Catedral da Sé, falou da necessidade de "devolver à Liturgia o seu caráter sagrado. É com esta finalidade que o meu Venerável predecessor na Cátedra de Pedro, João Paulo II, quis renovar ‘um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística’ (...) ‘A liturgia jamais é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios’ (Carta encl. Ecclesia de Eucharistia, n. 52). Redescobrir e valorizar a obediência às normas litúrgicas por parte dos Bispos, como ‘moderadores da vida litúrgica da Igreja’, significa testemunhar a própria Igreja, una e universal que preside na caridade".
E também na Missa de canonização de Santo Antônio de Sant’anna Galvão, lembrou os fiéis de que "na Sagrada Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja (...). Eles (os cristãos) devem poder conhecer a fé da Igreja, através dos seus ministros ordenados, pela exemplaridade com que estes cumprem os ritos prescritos que estão sempre a indicar na liturgia eucarística o cerne de toda obra de evangelização. Por sua vez, os fiéis devem procurar receber e reverenciar o Santíssimo Sacramento com piedade e devoção".
Foi acusado de obscurantismo. Estranho seria se o compreendessem, que o orgulho é uma coisa terrível. A vinda do Papa foi um chamado à santidade.
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quarta-feira, 9 de maio de 2007
segunda-feira, 7 de maio de 2007
A Polêmica do Limbo
Sobre as besteiras que andam sendo ditas sobre o limbo. O tão falado estudo feito pela ITC – International Theological Comission não é um documento papal nem possui natureza de Magistério da Igreja e, portanto, não poderia nunca "abolir a existência do limbo". A bem da verdade, o parecer - divulgado com o aval do Papa - conclui que deve haver esperança na salvação das crianças mortas sem o sacramento do Batismo, mas afirma também que o limbo permanece uma opinião teológica possível. Ou seja, nada além do que já dizia o Catecismo: "Quanto às crianças, mortas sem Batismo, a Igreja na sua liturgia confia-as à misericórdia de Deus".
sexta-feira, 4 de maio de 2007
O Motu Proprio
sexta-feira, 20 de abril de 2007
Notas & Links
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Metamorfose
Sacerdotes e acólitos da FSSP demonstram como preparar o altar-mesa de uma igreja moderna para a celebração da Missa Tridentina. Tudo em 15 minutos. Gosto especialmente do modo encontrado para posicionar o Sacrário.
A questão da arquitetura interna das novas igrejas era algo que me preocupava para a retomada da Missa de sempre, mas essa metamorfose prova que a readaptação tradicional pode ser feita rapidamente e em qualquer paróquia.
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Rumores do Motu Proprio
Como sempre acontece depois de mais uma previsão furada da data de promulgação do motu proprio liberando a celebração da Missa Tridentina, novos rumores começam a aparecer.
Em artigo de ontem (10/04/2007), o periódico italiano Il Tempo invoca uma insondável "fonti attendibili in Vaticano" para afirmar que a publicação acontecerá na próxima segunda-feira, 16/04/2007, data do 80º aniversário do Papa Bento XVI.
Outros prevêem para Maio, apontando o dia 5 como a data mais provável, por ser "the old feast day for Pope Pius V". Por enquanto, só resta rezar e esperar.
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Três Links
Artigo interessante do CNS sobre os fiéis que freqüentam a Missa Tridentina na Igreja de San Gregorio dei Muratori, em Roma.
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Mais Notícias do Motu Proprio
terça-feira, 27 de março de 2007
IBP no Brasil
segunda-feira, 19 de março de 2007
Notícias do Motu Proprio
Segundo artigo de Marco Tosatti, divulgado sábado passado (17/03/2007) no jornal La Stampa, de Turim, o motu proprio liberando o uso da Missa Tridentina está pronto e deverá ser publicado entre a Festa da Anunciação (25 de março) e a Páscoa.
Aparentemente, o documento é extremamente fundamentado ("blindatissimo") e, de acordo com fontes confiáveis, possibilitará que os fiéis (no mínimo 30) tenham o direito de pedir a celebração da Missa Tradicional em qualquer paróquia.
A informação foi confirmada pelo vaticanista Luigi Accattoli, no Corriere della Sera de ontem (18/03/2006). No artigo "La Linea Ratzinger", ele afirma que alguns predizem a publicação do motu proprio para 25 de março, outros para a quinta-feira santa. Afirma ainda que a intenção do papa seria a de possibilitar "que vários ritos possam conviver, favorecendo mutuamente o pluralismo e a tradição".
quarta-feira, 14 de março de 2007
Sacramentum Caritatis
Tudo bem, não veio o esperado motu proprio liberando a Missa Tridentina – talvez agora ainda um pouco mais longe -, mas a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis , divulgada ontem pelo Vaticano, destacou alguns pontos extremamente importantes em relação aos abusos na liturgia:
"A relação entre mistério acreditado e mistério celebrado manifesta-se, de modo peculiar, no valor teológico e litúrgico da beleza. De facto, a liturgia, como aliás a revelação cristã, tem uma ligação intrínseca com a beleza: é esplendor da verdade (veritatis splendor). (...) Referimo-nos aqui a este atributo da beleza, vista não enquanto mero esteticismo, mas como modalidade com que a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcança, fascina e arrebata, fazendo-nos sair de nós mesmos e atraindo-nos assim para a nossa verdadeira vocação: o amor"
"A beleza da liturgia pertence a este mistério; é expressão excelsa da glória de Deus e, de certa forma, constitui o céu que desce à terra. O memorial do sacrifício redentor traz em si mesmo os traços daquela beleza de Jesus testemunhada por Pedro, Tiago e João, quando o Mestre, a caminho de Jerusalém, quis transfigurar-Se diante deles (Mc 9, 2). Concluindo, a beleza não é um factor decorativo da acção litúrgica, mas seu elemento constitutivo, enquanto atributo do próprio Deus e da sua revelação. Tudo isto nos há-de tornar conscientes da atenção que se deve prestar à acção litúrgica para que brilhe segundo a sua própria natureza".
"37. Visto que a liturgia eucarística é essencialmente acção de Deus (actio Dei) que nos envolve em Jesus por meio do Espírito, o seu fundamento não está à mercê do nosso arbítrio e não pode suportar a chantagem das modas passageiras. Vale aqui também, sem dúvida, a advertência de São Paulo: « Ninguém pode pôr outro fundamento diferente do que foi posto, isto é, Jesus Cristo » (1 Cor 3, 11)".
"a arte da celebração é a melhor condição para a participação activa (actuosa participatio).(114) Aquela resulta da fiel obediência às normas litúrgicas na sua integridade, pois é precisamente este modo de celebrar que, há dois mil anos, garante a vida de fé de todos os crentes, chamados a viver a celebração enquanto povo de Deus, sacerdócio real, nação santa (1 Pd 2, 4-5.9).(115)".
"Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; a propósito, é necessário evitar a improvisação genérica ou a introdução de géneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia. Enquanto elemento litúrgico, o canto deve integrar-se na forma própria da celebração; (128) consequentemente, tudo — no texto, na melodia, na execução — deve corresponder ao sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos litúrgicos.(129) Enfim, embora tendo em conta as distintas orientações e as diferentes e amplamente louváveis tradições, desejo — como foi pedido pelos padres sinodais — que se valorize adequadamente o canto gregoriano,(130) como canto próprio da liturgia romana.(131)".
"A este respeito, porém, durante o Sínodo dos Bispos foi sublinhada a conveniência de moderar este gesto (a saudação da paz), que pode assumir expressões excessivas, suscitando um pouco de confusão na assembleia precisamente antes da comunhão. É bom lembrar que nada tira ao alto valor do gesto a sobriedade necessária para se manter um clima apropriado à celebração, limitando, por exemplo, a saudação da paz a quem está mais próximo.(150)".
"A fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, quero recomendar o que foi sugerido pelo Sínodo dos Bispos, em sintonia com as directrizes do Concílio Vaticano II: (182) exceptuando as leituras, a homilia e a oração dos fiéis, é bom que tais celebrações sejam em língua latina; sejam igualmente recitadas em latim as orações mais conhecidas (183) da tradição da Igreja e, eventualmente, entoadas algumas partes em canto gregoriano. A nível geral, peço que os futuros sacerdotes sejam preparados, desde o tempo do seminário, para compreender e celebrar a Santa Missa em latim, bem como para usar textos latinos e entoar o canto gregoriano; nem se transcure a possibilidade de formar os próprios fiéis para saberem, em latim, as orações mais comuns e cantarem, em gregoriano, determinadas partes da liturgia".
segunda-feira, 12 de março de 2007
Missale Romanum
Outro dia alguém me perguntou se eu era católico praticante. Fiquei um tempo pensando se haveria algum outro modo de ser católico, e depois disse que sim.
"Ah, então você tem que ir à Missa?"
Fiquei outro tempo pensando em como eu iria explicar que os sacramentos são dons gratuitos destinados à nossa salvação, por amor de Deus à humanidade. Que seria no mínimo estupidez fazer pouco caso deles, mais ou menos como tocar fogo no bote salva-vidas quando o navio está prestes a afundar. Que, entre todos, a Eucaristia instituída por Cristo na Última Ceia é o centro da vida cristã, e que, como católico, eu acredito na Presença Real: em como explicar que, por algum modo sublime e misterioso, aquela hóstia recebida na comunhão não é um simples pedaço de pão, mas verdadeiramente o Corpo de Cristo, e que o vinho consagrado também é verdadeiramente o Seu Sangue. E que por isso o sacrifício do Calvário é renovado a toda e cada Santa Missa celebrada, ou seja, que Cristo está ali, morrendo novamente por você, e você simplesmente não quer estar lá?
De modo que naquele momento eu fiquei meio sem jeito e respondi apenas que não conseguia imaginar porque alguém iria obrigado à Missa. A conversa tomou outro caminho e fui embora pensando em tudo aquilo, em como, mesmo entre católicos, poucas pessoas têm hoje em dia uma noção exata do sentido sobrenatural que envolve o sacrifício da Missa, um senso do próprio Mistério. E não posso deixar de ter a mais absoluta certeza de que os abusos na liturgia são o grande culpado por esse descolamento da realidade religiosa.
A ambigüidade do Concílio Vaticano II – especificamente na instituição do Novus Ordo - abriu a possibilidade de verdadeiras profanações e, com isso, da perda total do sentido da Missa. São as danças, as palmas, as músicas profanas – já condenadas em documentos recentes do Vaticano (a Instrução Redemptionis Sacramentum; a Encíclica Ecclesia de Eucharistia) -, o desdém de muitos padres na hora da Comunhão, a politização das homilias, a transformação da "Paz" em um evento interminável, onde as pessoas se abraçam e se beijam, enfim, diversos fatores que apenas confundem os fiéis, dando a entender que o sacrifício da Missa é apenas uma grande festa da comunidade. Nada mais. O sentido do Mistério fica completamente descartado, em troca de uma celebração materialista onde se fala de tudo, menos da salvação das almas.
Eu penso na verdadeira devoção dos Santos pela Santa Missa e fico imaginando o choque que essa "protestantização" lhes iria causar. O Padre Pio (São Pio de Pietrelcina), que teve a graça de receber os estigmas de Cristo, chorava e sofria durante toda a celebração que realizava, e, ao ser perguntado como deveríamos assistir à Missa, respondia: "Como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz". E você sambando? Batendo palmas?
É por isso que a preservação da liturgia é a preservação do próprio Mistério da Cruz. A preservação da realidade da Paixão. Mas a morte não é assunto muito popular. "Espanta fiéis". E esse véu sobre o sofrimento acaba se tornando também um véu na consciência sobre a própria Verdade.
Mas o fato é que falar dessa preservação litúrgica significa falar na Missa Tridentina, promulgada pelo Concílio de Trento em 1570, quando foram unificados os ritos sacramentais da Santa Missa utilizados pela Igreja desde os primórdios do Catolicismo, até o Vaticano II. É impossível deixar de imaginar que, se houvesse uma máquina do tempo e alguém se dispusesse a voltar para, vamos dizer, Nicéia em 780, Florença em 1368, ou, mais recentemente, Coréia em 1950, provavelmente assistiria à mesma celebração. E como não ver beleza nisso?
O Santo Padre, Papa Bento XVI, vem anunciando a liberação irrestrita da Missa de sempre - assim declarada e garantida por São Pio V na Bula Quo primo tempore -, com intenção de facilitar uma celebração que atualmente necessita da autorização – na maior parte das vezes recusada – do Bispo local. E liberar a Missa Tradicional significa possibilitar ao maior número de pessoas a mais perfeita forma de expressão da Fé na Sagrada Eucaristia, uma garantia contra profanações, o acesso a um tesouro cultural da humanidade, a coibição a liberdades pessoais de ortodoxia duvidosa, significa prover senso de Mistério e do sobrenatural, a restauração da humildade e reverência (resguardando a consciência da Presença Real), e, por tudo isso, significa mesmo um retorno à continuidade litúrgica, com toda a sua riqueza teológica. É a possibilidade de estender a muitos a oportunidade de participar do Santo Sacrifício, tal como foi sempre celebrado.
De outro lado, é evidente que a nova Missa constitui sacramento válido e que pode chegar a proporcionar um sentido sobrenatural do Mistério, sem deturpação. Basta assistir ao rito novo celebrado em latim – como faz o Opus Dei, por exemplo -, ou à celebração solene de alguns mosteiros ou do próprio Vaticano, com canto gregoriano ou polifonia, para notar que isso é possível. Mas, de verdade, temo que as celebrações corretas sejam as exceções que apenas confirmam a regra. A possibilidade de más celebrações e de profanação da Verdade são mesmo uma janela aberta ao infinito, no Novus Ordo.
Ainda assim, nada justifica a revolta tradicionalista de grupos cismáticos. Por mais justa que a causa pareça, se um Papa lhe roga "pelas Chagas de Cristo" que não faça algo – seja beber um copo d’água, atravessar a rua ou ordenar sacerdotes -, você simplesmente não faz. Prudentia est recta ratio agibilium, já dizia Santo Tomás. A lição é essa. Na dúvida, sempre com o Papa. E Santo Tomás.
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