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terça-feira, 17 de julho de 2007

O Papa e a Missa Tridentina

Há uma matéria interessante no Catholic World News, afirmando que o Papa Bento XVI utiliza regularmente o missal de 1962 (forma extraordinária do rito romano) na celebração de suas missas privadas. Segundo informa o The New Liturgical Movement, a possibilidade foi inicialmente levantada depois de uma missa pública – na forma ordinária – em que o Sumo Pontífice teria se valido de uma rubrica da liturgia tradicional: segundo consta, ele ajoelhou-se antes de elevar a hóstia consagrada. Segundo fontes nossas, haveria também a possibilidade do Papa publicamente celebrar uma Missa Tridentina (forma extraordinária do rito romano) na festa da Exaltação da Santa Cruz, em 14 de setembro de 2007, quando entrará em vigor o Motu Proprio Summorum Pontificum, que levantou toda e qualquer restrição sobre a liturgia tradicional.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Motu Proprio no CELAM: “É chegado o tempo”

A notícia não poderia ser mais animadora. Em discurso feito anteontem (14/05/2007) no CELAM, em Aparecida, o Cardeal Darío Castrillón Hoyos informou oficialmente os Bispos da América Latina sobre a iminente intenção do Santo Padre em promulgar um motu proprio para a liberação da Missa Tridentina e da liturgia tradicional. O Cardeal Hoyos é Presidente da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, criada pelo Papa João Paulo II para acolher os fiéis tradicionalistas que desejavam permanecer em comunhão com a Igreja, quando da excomunhão do Arcebispo francês Marcel Lefebvre, em 1988.
O discurso é muito sereno e percebe-se claramente que o Cardeal não está debatendo a questão ou pedindo qualquer opinião dos bispos. Ao contrário, ele parece apenas comunicar um fato iminente, a pedido do próprio Papa Bento XVI, que havia preparado o terreno na semana anterior, com suas contundentes intervenções sobre os abusos na liturgia e a doutrina tradicional da Igreja, conforme tratei no post abaixo.
Seguem abaixo os trechos mais importantes do discurso do Cardeal Hoyos, em Aparecida:
"(...) Na verdade, trata-se de uma oferta generosa do Vigário de Cristo que, como expressão de sua vontade pastoral, quer colocar à disposição da Igreja todos os tesouros da liturgia latina que durante séculos nutriu a vida espiritual de tantas gerações de fiéis católicos. O Santo Padre quer conservar os imensos tesouros espirituais, culturais e estéticos ligados à antiga liturgia. A recuperação dessa riqueza une-se à não menos preciosa da atual liturgia da Igreja.
Por essas razões, o santo Padre tem a intenção de estender a toda a Igreja latina a possibilidade de celebrar a Santa Missa e os Sacramentos segundo os livros litúrgicos promulgados pelo Beato João XXIII, em 1962. Por esta liturgia, que nunca foi abolida, e que , como dissemos, é considerada um tesouro, existe hoje um novo e renovado interesse e, também por essa razão o Santo Padre pensa que é chegado o tempo de facilitar, como havia querido a primeira Comissão Cardinalícia em 1986, o acesso a esta liturgia, fazendo dela uma forma extraordinária do único rito Romano. (...)" (os destaques são meus).

segunda-feira, 14 de maio de 2007

A Visita do Papa

Desafiando a intolerância mal disfarçada da intelligentsia brasileira, o Papa Bento XVI teve uma passagem gloriosa pelo país. Foi paciente com os vexames diplomáticos e a falta de educação da cúpula presidencial e reafirmou toda a doutrina com contundência e serenidade. Não, não se mata em nome da liberdade individual. E não, hedonismo não é liberdade. A Igreja não deve render culto à ideologia e a interesses partidários. E exortou os bispos a uma dolorosa obediência a Roma.
Tocou a piaga dos abusos na liturgia: na Catedral da Sé, falou da necessidade de "devolver à Liturgia o seu caráter sagrado. É com esta finalidade que o meu Venerável predecessor na Cátedra de Pedro, João Paulo II, quis renovar ‘um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística’ (...) ‘A liturgia jamais é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios’ (Carta encl. Ecclesia de Eucharistia, n. 52). Redescobrir e valorizar a obediência às normas litúrgicas por parte dos Bispos, como ‘moderadores da vida litúrgica da Igreja’, significa testemunhar a própria Igreja, una e universal que preside na caridade".
E também na Missa de canonização de Santo Antônio de Sant’anna Galvão, lembrou os fiéis de que "na Sagrada Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja (...). Eles (os cristãos) devem poder conhecer a fé da Igreja, através dos seus ministros ordenados, pela exemplaridade com que estes cumprem os ritos prescritos que estão sempre a indicar na liturgia eucarística o cerne de toda obra de evangelização. Por sua vez, os fiéis devem procurar receber e reverenciar o Santíssimo Sacramento com piedade e devoção".
Foi acusado de obscurantismo. Estranho seria se o compreendessem, que o orgulho é uma coisa terrível. A vinda do Papa foi um chamado à santidade.